Caminho por bairros, entro em lojas, visito sites, falo com empresários/empreendedores – e é sempre a mesma cena: oportunidades passando pela porta sem serem notadas. Não por falta de talento, mas por hábitos ruins e escolhas automáticas.
Por que isso importa?
Porque o dinheiro mais barato está a um telefonema do cliente atual. Captar novo custa caro; vender melhor para quem já confia traz margem, previsibilidade e paz. Ignorar isso é escolher um negócio ansioso por padrão.
Onde o dinheiro escapa?
- Desatenção aos clientes atuais
Pedem nota 10, recebem 8 e somem. Ninguém liga depois para saber se deu certo, ninguém oferece o próximo passo, ninguém convida para indicar amigos. Resultado: a concorrência agradece. - Obsessão por aquisição e desprezo pela retenção
Gasta-se com anúncios para atrair desconhecidos enquanto se ignora quem já confia e quer comprar de novo. É como encher um balde furado. - Poucas parcerias
Trabalhos que poderiam ser fechados com uma simples indicação morrem por falta de ponte. Cada negócio opera como ilha – e paga caro por isso. - Foco doentio na concorrência
“Eles lançaram X, vamos lançar também.” Nessa corrida, ninguém fala com o cliente. Copia-se o vizinho e esquece-se da própria vantagem.
Outras perdas que quase ninguém vê
- Dados espalhados e não usados: compras, reclamações, horários de pico, motivos de cancelamento – tudo existe, nada vira ação.
- Catálogo confuso: coisas demais, sem deixar claro o melhor caminho para começar. Cliente desiste no meio.
- Processos que cansam: formulário longo, retorno lento, pagamento difícil. Se é chato, a pessoa adia – e às vezes nunca volta.
- Pós-venda inexistente: a entrega termina no “obrigado”. Sem acompanhamento, não há recompra nem indicação.
- Equipe sem autonomia: problemas simples exigem “aprovação”. A solução atrasa, a paciência acaba.
- Promessa grande, prova pequena: dizer o que faz é barato; mostrar antes/depois e depoimentos recentes é o que fecha.
Como transformar perdas em crescimento? (sem complicar)
- Roteiro de pós-venda em 3 passos
48h após a entrega: “Funcionou?”
7 dias: “Alguma dúvida?”
30 dias: “Próximo passo sugerido é ___.”
Registre respostas. Isso vira pauta de melhoria. - Oferta de continuidade
Crie um plano recorrente (mensal/trimestral) com vantagens claras. Facilite a renovação. - Programa de indicação simples
Vale para cliente e para parceiro: “Indique 1, ganhe __”. Quanto mais direto, melhor. - Parcerias de vizinhança
Liste três negócios que atendem o mesmo público com outra solução (ex.: clínica + laboratório + academia). Monte pacotes cruzados. - Simplifique o começo
Uma página clara, um plano de entrada, um botão de ação. Menos escolhas, mais conversão. - Remova fricções óbvias
Pagamento sem burocracia, janela de atendimento real, canal direto de suporte. Informe antes o que precisa levar/assinar. - Dê autonomia na ponta
Regras simples: até X dinheiros a pessoa resolve. Problema resolvido rápido vira elogio público. - Use o que você já sabe
Crie um painel semanal com quatro linhas: Novos, Recompra, Cancelamentos (motivo), Indicações. Decida a semana em cima disso.
Exemplos práticos
- Estúdio de pilates: pacote de 3 aulas de reativação para ex-alunos + desconto para indicação que virar matrícula. Reagenda quem sumiu e traz novos com prova social.
- Assistência técnica: checklist de manutenção semestral com agendamento automático. Vira receita previsível.
- Loja de bairro: SMS/WhatsApp de aviso de novidades por categoria escolhida pelo cliente. Vende sem despejar spam.
Perguntas que destravam oportunidades
- Quem comprou uma vez e nunca voltou – por quê?
- O que 10% dos melhores clientes compram a mais que os demais?
- O que impede alguém de fechar hoje (prazo, preço, risco, informação)?
- Qual parceria colocaria você diante de 100 clientes ideais em 30 dias?
Plano de 10 dias
- Dia 1-2: levante lista de clientes dos últimos 6 meses.
- Dia 3-4: ligue para 20 com roteiro de 3 perguntas (resultado, dúvida, próximo passo).
- Dia 5: desenhe uma oferta de continuidade.
- Dia 6-7: proponha parceria a dois negócios complementares.
- Dia 8: publique prova simples (antes/depois ou depoimento do mês).
- Dia 9-10: ajuste site e mensagem para um caminho de entrada claro.
Conclusão
Oportunidade perdida não é azar – é processo mal desenhado. Atenção ao cliente atual, parcerias vivas e atrito baixo criam um ciclo em que as vendas repetem, as indicações crescem e a concorrência vira ruído de fundo. Olhe ao redor com esse filtro por uma semana. Você verá portas que sempre estiveram abertas – só faltava entrar.